ARENA BSB

Concurso: primeiro lugar

"A proposta recupera o caráter do cerrado nativo para o resgate de uma nova, e ao mesmo tempo preexistente, ideia de paisagem. Ideia esta que carrega a potência da construção de um novo modelo de sustentabilidade econômica, arquitetônica, urbana e especialmente ambiental."

 

Ata final da comissão julgadora do concurso

Brasília, Distrito Federal

2019


Arquitetura: ARQBR + GSR
Autores: André Velloso, Eder Alencar, Elcio Gomes, Fabiano Sobreira e Paulo Borges Ribeiro
Colaboradores: Caio Nascimento, Danielle Gresler, Gabriel Lordelo, Gabriel Perucchi, Luana Alves, Marcelo Braga, Marcos Cambuí, Mariana Castro, Mateus Reis, Pedro Avelino; Thaís Lacerda; Thaís Losi
Paisagismo: Mariana Siqueira
Eficiência Energética: Juliana Andrade e Natasha Alves
Estruturas em aço: Paulo Roberto Freitas
Estruturas em concreto: Lucílio Vitorino
Ar condicionado e Instalações: Paulo Ribeiro da Silva
Drenagem: Davi Navarro
Maquete: Daniel Miike.

Em 2019, a Arena BSB e o Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento do Distrito Federal (IAB-DF) lançaram o Concurso Nacional de Arquitetura e Paisagismo para Requalificação do Complexo Esportivo e de Lazer Arena BSB. O desafio era adicionar, no entorno do Estádio Nacional Mané Garrincha e do Ginásio Nilson Nelson, um programa de necessidades composto por edifícios comerciais, escritórios, cinema e aquário, além de áreas esportivas.​

Fomos convidados para compôr a equipe encabeçada pelos escritórios brasilienses ARQBR e GSR Arquitetos, que, a partir de um profundo conhecimento e uma sensível interpretação do plano original de Brasília, resolveram com maestria a arquitetura e o urbanismo da proposta. Nela, todo o programa de necessidades foi concentrado e articulado ao longo de uma esplanada elevada, liberando o restante do terreno para a criação de um novo parque urbano. Para o parque, apostamos em trazer representações do Cerrado de volta ao coração de Brasília, através, sobretudo, da criação de amplos campos e savanas compostos por capins, ervas e arbustos nativos. Parte da proposta, vencedora, é apresentada abaixo, com imagens e obtidos das pranchas do concurso.

"É preciso inserir o Cerrado no imaginário nacional

e a capital federal pode ter um papel central nesta missão."

Paisagens de savana
 

"O Brasil tem uma autoimagem quase exclusivamente florestal. No entanto, 40% de suas paisagens naturais originais não eram florestas, mas savanas e campos, ou seja, formações abertas, com predomínio de capins, ervas e arbustos floridos, com ou sem árvores espalhadas.
Valorizar o Cerrado, em sua estética e em sua ecologia, passa necessariamente por colocar em evidência tais espécies  características da paisagem de savana.
Nesta proposta, árvores nativas irão qualificar e sombrear o perímetro da gleba, os eixos de circulação de pedestres e partes das áreas de estar. Já as áreas entre esses espaços e as edificações serão, em alguns trechos, cobertas por tapetes vegetais inspirados nos campos e savanas do Cerrado, com seus capins, ervas e arbustos nativos."

O céu como elemento da paisagem


"As referências estéticas e ecológicas da paisagem natural do Cerrado não se resumem ao seu componente vegetal e destaca outro elemento expressivo e singular do Brasil Central: o céu. Ao não cobrir todas as áreas verdes com árvores - indo além de deixá-las
simplesmente gramadas -, procura-se valorizar aquilo que Lucio Costa definiu como “o mar de Brasília”, bem como o vazio que qualifica e articula o edificado e o não-edificado, o que torna a cidade excepcional."

 

Fonte das nascentes


"O Cerrado é considerado 'a caixa d’água do Brasil' por ser nele onde infiltra a água que alimenta as nascentes dos principais rios e cursos d’água do país. Isso se deve, justamente, às plantas nativas que, adaptadas à seca e ao fogo, evoluíram de modo a
não perder muita água por evapotranspiração e a desenvolver raízes profundas que, logo, conduzem a chuva para as profundezas da terra. As áreas livres da ArenaBSB, tratadas com essas plantas, irão oferecer o mesmo serviço ecossistêmico. Serão
jardins que apresentam alta capacidade de drenagem no período da chuva e grande resiliência no período da seca. As áreas de campo e savanas, implantadas em superfícies ligeiramente côncavas, permitirão a infiltração da água no solo de forma muito superior à desempenhada por gramados. Assim, espera-se descongestionar redes de drenagem urbana, contribuir para a recarga do lençol freático e evidenciar uma das mais importantes qualidades do Cerrado. A utilização de plantas nativas
traz vantagens adicionais. Por estarem adaptadas às condições climáticas, podem dispensar ou, ao menos, diminuir consideravelmente os investimentos em irrigação.


Com isso, é celebrada sua natural sazonalidade, expressa na variação cromática ao longo do ano: na estação chuvosa predominam os tons de verde e, na seca, os tons dourados e ocres."

Da Ata Final dos trabalhos da comissão julgadora do Concurso Nacional de Arquitetura e Paisagismo para Requalificação do Complexto Esportivo e de Lazer ARENA BSB:

"O Projeto 51 se destaca pela força e sensibilidade da ideia da construção de uma nova paisagem que resgata o ambiente originário do cerrado, aliando infraestrutura, desenho urbano, arquitetônico e paisagístico de modo sintético e sistêmico, condensando as diferentes escalas de Brasília de modo unificado. 

Com a sensibilidade e respeito às preexistências, o projeto parte do reconhecimento do passado histórico da capital - da construção da paisagem da cidade como a imagem do país - para mirar um outro futuro possível. Traz a proposta de uma paisagem que reorganiza o território do entorno do estádio Mané Garrincha a partir da criação de uma plataforma mirante que articula todo o corpo edificado de modo sistêmico, solucionando eficientemente a questão do faseamento, e ao mesmo tempo aberto para a adaptação de usos necessária às imprevisibilidades do empreendimento ao longo do tempo e em sua completude. 

A proposta recupera o caráter do cerrado nativo para o resgate de uma nova, e ao mesmo tempo preexistente, ideia de paisagem. Ideia esta que carrega a potência da construção de um novo modelo de sustentabilidade econômica, arquitetônica, urbana e especialmente ambiental. A introdução de espécies rasteiras vinculadas às estratégias de drenagem e de usos públicos, e o cinturão verde no perímetro da área de projeto constituem um sistema ambiental referenciado no caminho das águas."

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